

O Xadrez no Brasil
O começo do xadrez no Brasil foi bastante tardio. Não há qualquer registro sobre Xadrez no Brasil anterior a chegada da família Real. Com a transferência da corte para o Brasil, em fuga da invasão napoleônica, vieram muitos nobres e pessoas de maior erudição que conheciam o jogo. Com a Biblioteca Real vieram alguns exemplares de livros como o Arte de Ajedrez, O manual de Damiano e o Tratado de Ruy Lopez, pertencentes a coleção de D. João VI, que certamente não eram disponíveis para estudo público, mas dão ideia da existência da cultura do Xadrez dentro da casa Real e certamente entre os nobres a época.
A primeira publicação de xadrez impressa em solo brasileiro data apenas de 1850 de autoria do Desembargador Henrique Velloso de Oliveira intitulado “O perfeito jogador de Xadrez ou Manual Completo desse jogo”. Em quase 200 páginas descreve, na primeira parte as regras básicas e alguns exemplos de aberturas. Na segunda parte apresenta a descrição de algumas partidas transcritas muito provavelmente de revistas britânicas e ao final a descrição de 40 posições de finais descritas por extenso, fora do modelo padrão da notação descritiva. As peças eram descritas como brancas e vermelhas, as torres nomeadas como roques.
Não ousarei criticar a qualidade técnica limitada dessa obra, em respeito a descrição introdutória do autor onde se lê: “Se alguém nos criticar, convidamos ao detractor que faça melhor. E se disserem que o que dizemos é tirado d’outros livros, confessamos que assim é, mas que o fizemos com discernimento, e com escolha, e que também algum pouco foi posto de nossa casa, sendo isto o que fazem quasi todos os autores.”
Dessa forma a referência de maior relevância que realmente marca o início do Xadrez no Brasil fica com o Livro Caissana Brasileira de Artur Napoleão, editado em 1898. Lá encontramos 500 diagramas de problemas, todos de autores brasileiros e uma introdução que conta a história do jogo no Brasil, especialmente no Rio de Janeiro, no final do século XIX.
Arhur Napoleão
Nascido no Porto em 1843 (06/03), foi uma criança prodígio da música, participando de recitais desde os 7 anos de idade. Veio ao Brasil pela primeira vez em 1847 e se estabeleceu em 1866 como comerciante de instrumentos musicais. Ganhou fama como concertista. Deu aulas de piano a Chiquinha Gonzaga e organizava e participava de Recitais para o imperador D.Pedro II e para a Princesa Isabel e é Patrono da cadeira nº 18 da academia brasileira de música.
A atividade do Xadrez era portanto amadora, descrita assim pelo próprio Napoleão em seus relatos, mas sua vontade de divulgar o Xadrez e sua paixão pelo eram sem limites, tendo usado toda sua capacidade e dedicação pelo Xadrez.
Caldas Viana
João Caldas Viana Neto foi o jogador de maior renome no País e na América do Sul entre o final do século XIX e as primeiras décadas do século XX. De origem nobre, seu avô por parte de pai, João Caldas Viana (1806-1862), foi fazendeiro e político conhecido no período do Império. O pai por sua vez, João Caldas Viana Filho (1837-1895), foi o Visconde de Pirapetinga, era um grande enxadrista e foi responsável pela criação do primeiro clube de Xadrez no Rio de Janeiro com Artur Napoleão, com quem dirigiu diversos outros clubes.
Assim, o Dr. Caldas Viana se desenvolveu nos clubes de xadrez administrados pelo pai e com as revistas especializadas que o visconde mandava vir da Europa. Formou-se advogado e também atuava como jornalista. Trabalhou com Rui Barbosa e foi secretário da missão de Joaquim Nabuco na questão de limites do Brasil com a Guiana Inglesa.
Deixou um grande legado teórico. Em 1900, jogou contra Paes de Barros a partida que viria ser conhecida internacionalmente como a "Imortal Brasileira". Também era um problemista de renome internacional. Foi o criador da Variante Rio de Janeiro da Defesa Berlinesa, da Abertura Ruy Lopes. Foi reconhecido internacionalmente após empatar com o forte mestre alemão Richard Teichmann (1868-1925), quando da passagem deste pelo Rio de Janeiro em 1905. Foi Teichmann que levou para a Europa a nova variante, que se popularizou, sendo inclusive jogada a nível de Match Mundial, entre Tarrasch e Lasker. Mais tarde, Lasker publicou um estudo desta variante na revista francesa La Stratégie (1913), quando a descreveu como "de desenvolvimento moderno e o melhor seguimento para quem optar pela Defesa Berlinesa".
A morte de João Caldas Viana Neto, em 4 de outubro de 1931, causou comoção toda América do Sul. A revista argentina "El Ajedrez Americano"(nº 50 - novembro de 1931) dedicou duas páginas para homenagea-lo.






CAISSANA BRASILEIRA